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Transformação
Digital

Em poucas décadas, a Tecnologia da Informação (TI) deslocou-se do back office, para o front office e, finalmente, integraram-se em quase todos os aspetos das vidas profissionais e pessoais dos cidadãos, alimentadas por tecnologias da 3ª Plataforma, nomeadamente telemóveis, negócios sociais, cloud e big data e analítica de negócio. Esta nova era é caracterizada por tecnologias e processos que as empresas implementam e que estão de tal forma associados aos seus clientes e mercados, que as fronteiras entre as operações internas da empresa e o seu ecossistema externo (clientes, mercados, concorrentes, parceiros, reguladores) estão a desaparecer rapidamente.
 Neste contexto as administrações empresariais, do setor público e privado, são desafiadas a levar as suas empresas ao nível seguinte, ao da transformação digital, empregando tecnologias digitais nos seus negócios, em conjunto com a inovação organizacional, operacional e de modelos de negócio para criar novas formas de operar e expandir as empresas.

Apesar do termo “digital”, há muito mais na transformação digital para além da tecnologia. Define-se Transformação Digital como o processo contínuo através do qual as organizações se adaptam ou apresentam mudanças inovadoras aos seus clientes e mercados (ecossistema externo) ao potenciar competências digitais para inovar novos modelos de negócio, produtos e serviços que misturam de forma uniforme o digital, o físico, as experiências da organização e do cliente, ao mesmo tempo que melhoram a eficácia operacional e o desempenho organizacional.
A revolução digital nos serviços de saúde veio disponibilizar novas oportunidades para o desenvolvimento da qualidade, a investigação de novos tratamentos e uma melhor utilização dos recursos. Os cidadãos têm acesso a melhores cuidados de saúde porque os prestadores de serviços podem partilhar conhecimento entre especialidades e através de sectores. Mas, na maioria dos países, o sistema de saúde está fortemente pressionado. O efeito conjugado de uma maior esperança de vida e a prevalência de doenças crónicas tem afetado a sustentabilidade do modelo tradicional de prestação de cuidados de saúde em muitos dos países. Novos modelos de atendimento suportados por novas tecnologias e pela digitalização têm vindo a aparecer como solução para este cenário.

A utilização digital da informação tornou-se uma componente essencial de um novo sector de saúde orientado para os utentes e em que as melhorias de qualidade e sustentabilidade são os principais fatores. Trata-se de uma transformação desencadeada e suportada por novas tecnologias, assim como uma exigência das novas gerações para que o sistema público de saúde corresponda ao estilo de vida digital. A maioria da informação que, presentemente, é partilhada digitalmente, era anteriormente partilhada em papel, porém as oportunidades digitais de partilha da informação relevante levantam questões sobre a proteção dos dados numa sociedade digital.

O sector da saúde é caraterizado pelas seguintes tendências:

Dados e informação sobre doentes é recolhida através de uma vasta quantidade de sistemas de TIC e de equipamentos médicos. Frequentemente, não existe ou existe pouco conhecimento sobre o armazenamento dos dados dos pacientes.

As vias de tratamento são criadas através do ecossistema do doente num ambiente de cuidados integrados, no qual todos os prestadores de serviços, incluindo os doentes, têm acesso aos dados. Tais podem ser soluções de telemedicina ou plataformas de cuidados partilhados.

O tratamento moderno de doentes está fortemente dependente de dados e de informação, como a medicina de precisão ou as vias de cuidados pessoais.

Dados e informação são partilhados para outros objetivos que não o tratamento direto dos mesmos. Tal poderá ser para investigação, gestão de saúde pública ou gestão da procura através dos sectores.

Dados e informação são utilizados conjuntamente com analítica, Big Data e sistemas cognitivos para permitir novos regimes de tratamento e novos modelos de negócio.

LIDERANÇA DX

A administração hospitalar nem sempre está consciente das oportunidades disponibilizadas pela tecnologia, pelo que se torna difícil aos Chief Information Officer (CIO) incorporar a visão da transformação digital na estratégia global.  Alguns dos médicos são mais ávidos a promover a mudança do que outros, em particular no que diz respeito ao relacionamento com os doentes. Assim, nalgumas instituições começam a aparecer funções como Chief Clinical Information Officer (CCIO) ou Chief Medical Information Officer (CMIO), de modo a promover as mudanças necessárias. Contudo, as organizações ainda estão muito focadas na conformidade no que diz respeito às TIC e é difícil alterar os modelos de funcionamento com tantos regulamentos em vigor.

OMNI-EXPERIÊNCIA DX

Os doentes têm expectativas de ter o mesmo tipo de experiência, independentemente do modo como interagem com os prestadores de cuidados de saúde (online ou pessoalmente). Existe uma vasta gama de tarefas (além das administrativas) que podem ser automatizadas ou alteradas para permitir um melhor envolvimento com os doentes.

TALENTOS DX
Os prestadores de cuidados de saúde necessitam de se concentrar naquilo que é importante: a qualidade dos serviços prestados e uma melhor experiência dos doentes. Presentemente, a conformidade regulamentar e a burocracia absorvem imenso tempo e as TIC não têm estado a ajudar, não sendo a experiência dos utilizadores com os sistemas de informação clínica muitas vezes a melhor. Muitos dos sistemas carecem de mobilidade e tecnologias como a IoT (Internet of Things) não são utilizadas corretamente para resolver problemas transacionais e de segurança dos doentes. Assim, é necessário aumentar o foco nos fluxos de trabalho relacionados com os doentes e serem inovadores. Por exemplo, um hospital suíço adotou uma iniciativa de melhoria da experiência dos doentes através de formação das enfermeiras e dos médicos numa das mais prestigiadas escolas de gestão hoteleira. Como resultado, os doentes daquela instituição hospitalar demonstraram grande apreço pelos novos serviços resultantes do conhecimento adquirido com a iniciativa.

MODELO OPERACIONAL DX
Presentemente, há falta de coordenação entre o que se passa interna e externamente ao hospital. Assim, há necessidade de alterar o foco para os fluxos de trabalho relacionados com os doentes e ajustar as operações de modo a ter condições de dar uma resposta mais adequada. Um exemplo é a analise de dados em tempo real, que é essencial para a otimização dos processos.
 As boas práticas necessitam de ser partilhadas de modo a serem escaláveis.

INFORMAÇÃO DX
Os hospitais estão esmagados por informação e dados. Além da implementação de sistemas de informação clínica e analítica é necessário haver uma framework para extrair e desenvolver o valor e a utilidade da informação relativa aos doentes, serviços, ativos físicos e experiências. Existem problemas técnicos relacionados com a integração e interoperacionalidade, assim como receios com a implementação de uma cultura de decisão baseada na evidência dos factos. Com isto, os hospitais necessitam de adotar uma cultura de transparência e a gestão deve assegurar que todos percebam os seus benefícios.

Governo de Portugal, Ministério da SaúdeServiços Partilhados do Ministério da Saúde, E.P.E.SNS 24 – Centro de Contacto – Serviço Nacional